HISTÓRIA DE ALHAMBRA - ORIGEM E PERCURSO HISTÓRICO

A Alhambra: de fortaleza a monumento emblemático

A história de Alhambra remonta ao século XI, quando a dinastia berbere Zirid renovou as anteriores fortificações romanas e muçulmanas. A sua localização estratégica no topo da colina, com vista para a cidade de Granada e para o rio Darro, tornou-a um local importante muito antes de a dinastia Nasrid a ter transformado no icónico palácio. Baptizada com o nome árabe "Al-Qal'a Al-Hamra", que significa "O Castelo Vermelho", devido à sua cor avermelhada, a Alhambra adquiriu o seu aspeto distinto sob o domínio dos Nasridas, simbolizando a sua riqueza e poder. Ao longo dos séculos, evoluiu de fortaleza para palácio real, tornando-se mais tarde numa ruína abandonada e, finalmente, num dos marcos mais emblemáticos de Espanha.

Século IX: A primeira referência à Alhambra

A Alhambra foi mencionada pela primeira vez em registos históricos no século IX, quando Sawwar ben Hamdun se refugiou na Alcazaba, uma fortaleza localizada no local, durante a agitação civil no Califado de Córdoba. Ele começou a reparar a estrutura existente, o que levou a algum desenvolvimento na área, à medida que esta se tornava mais povoada.

Século XI: Uma fortaleza estratégica

A dinastia dos Ziridas governou Granada no século XI, transformando a Alhambra numa base militar. A Alcazaba (em árabe, a «Cidadela») foi construída pelo rei berbere Badis ibn Habus com muros sólidos e fortificações no Monte Sabika. Ao longo dos séculos, a Alcazaba foi controlada por diferentes dinastias, incluindo os Almorávidas e os Almoadas, antes de passar a fazer parte do Reino Nasrida.

Século XIII – Da fortaleza ao palácio real

O primeiro rei nasrida, Mohammed ben Al-Hamar (Mohammed I), estabeleceu a sua residência real na Alhambra, marcando o início da sua transformação de fortaleza num grandioso complexo palaciano. Rodeada por muralhas sólidas e torres de vigia, oferecia amplas vistas sobre Granada, simbolizando o poder e a força dos Nasridas durante o seu reinado. Isto marcou o início do período mais próspero da Alhambra, com impressionantes desenvolvimentos arquitetónicos e culturais.

Século XIV – A era dourada da Alhambra

No século XIV, a Alhambra tornou-se um importante centro cultural e político sob a dinastia nasrida. O complexo sofreu uma grande reconstrução, com adições fundamentais como o Palácio dos Leões (Patio de los Leones) e o Palácio de Comares, que inclui a Sala dos Embaixadores (Sala de los Embajadores). A Alhambra prosperou como um local dedicado à arte, à poesia e ao conhecimento, com espaços de lazer como os Jardins do Generalife, banhos públicos, mesquitas e áreas administrativas como o Salão do Mexuar. No entanto, no final do século, a ascensão das forças cristãs indicava que se avizinhavam mudanças na região.

Século XV (1492) – A queda da Alhambra e o fim do domínio muçulmano

Em 1492, os Reis Católicos, Fernando e Isabel, concluíram a Reconquista ao conquistarem Granada e porem fim ao domínio muçulmano em Espanha. O soberano nasrida, Maomé XII (Boabdil), rendeu a cidade e a Alhambra, marcando a queda do último reino muçulmano em Espanha. Após a conquista, a Alhambra foi alterada para refletir as preferências dos novos governantes, embora a maior parte da arte e arquitetura islâmicas originais tenha sido preservada. Na sequência da Reconquista, os Reis Católicos alternavam entre os grandiosos palácios de Granada e Sevilha, deixando uma marca real em ambas as cidades. Hoje em dia, escolher entre visitar estas duas capitais históricas pode ser difícil para qualquer amante de história. Pode encontrar uma análise detalhada do que torna cada cidade única no nosso guia «Sevilha vs. Granada».

Século XVI – A transformação sob o domínio cristão

Os novos governantes cristãos queriam deixar a sua marca na Alhambra e, em 1526, Carlos V ordenou a construção de um palácio de estilo renascentista, que contrastava com a arquitetura islâmica existente. Com a queda da dinastia dos Nasrídidas, a Alhambra perdeu o seu estatuto de residência real e começou a deteriorar-se. Os outrora belos jardins islâmicos foram negligenciados e o complexo foi perdendo, aos poucos, a sua antiga grandeza.

Séculos XVII e XVIII – O declínio da Alhambra

Durante os séculos XVII e XVIII, a Alhambra continuou a entrar em declínio, sendo utilizada principalmente como quartel militar. Grande parte das suas obras de arte sofreu danos, e os terramotos agravaram ainda mais a situação. Durante as Guerras Napoleónicas (1808–1814), as forças de Napoleão ocuparam a Alhambra e tentaram destruir partes do complexo com explosivos. Um soldado local conseguiu desarmar alguns explosivos, salvando as estruturas principais da destruição.

Século XIX – O renascimento da Alhambra

No século XIX, a Alhambra voltou a chamar a atenção depois de o livro de Washington Irving, «Contos da Alhambra», de 1832, a ter descrito como um lugar mágico de uma civilização perdida. Seguiram-se esforços de restauro para preservar o palácio e recuperar o seu valor histórico.

Século XX – Restauro e reconhecimento mundial

No século XX, a Alhambra foi declarada monumento nacional e, em 1984, foi classificada como Património Mundial da UNESCO, juntamente com os Jardins do Generalife e o Albayzín. No final do século XX, a Alhambra tornou-se um dos principais destinos turísticos de Espanha, com esforços contínuos para proteger a sua arquitetura para as gerações futuras.

A Alhambra hoje

A Alhambra continua a ser um símbolo da Espanha mourisca, misturando influências islâmicas, cristãs e renascentistas. Património Mundial da UNESCO, atrai todos os anos milhões de visitantes que admiram as suas arquitetura impressionante e aprender sobre o seu significado histórico.

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